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Arte: Katrin Friedmann

Ciclo A-Z

O que é o clitóris? E onde fica?

Fizemos um diagrama para você.

por Nicole Telfer, Science Content Producer; e Clár McWeeney, Former Content Manager at Clue
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*Tradução: Sarah Luisa Santos

Para as pessoas que tem vagina, os orgasmos geralmente vêm do clitóris, localizado acima da abertura vaginal e da uretra (1,2,3).

O clitóris é a fonte primária de prazer sexual feminino (2,4).

Áreas que dão tesão: zonas erógenas

Zonas erógenas são áreas do corpo que produzem alguma resposta sexual quando estimuladas. Elas podem incluir a área genital, os mamilo ou na verdade qualquer lugar – o que quer que você curta.

A zona erógena mais sensível do corpo feminino é o clitóris (4). Ao estimular uma zona erógena, uma resposta sexual fisiológica pode se iniciar.

O clitóris é parte da vulva, o nome para as partes externas da genitália. A vagina é o tubo que conecta a vulva ao cérvix. 

Veja aqui o diagrama de uma vulva:

A estimulação do clitóris pode ser feita diretamente, internamente (através da vagina) e/ou através de estimulação da vulva.

Muitas pessoas que tem vagina – apesar de talvez gostarem e se sentirem excitadas através do sexo com penetração – nem sempre têm orgasmo com isso.

Estimulação direta na glande clitoriana ou em seu capuz geralmente é necessária para um empurrãozinho final na hora de atingir um orgasmo (1,3).

Onde fica o clitóris? Vejamos sua anatomia

O clitóris não é só uma parte da vulva que parece um botão pequeno.

O clitóris é composto de múltiplas partes:

  • a glande

  • o corpo

  • ramos do clitóris (*cruris*) e bulbos vestibulares (4,5)

Partes externas do clitóris

A glande clitoriana é o nome da parte que muitas pessoas chamam de “clitóris”.

É a parte externa do clitóris, mais ou menos do tamanho de uma ervilha, e está localizada acima da uretra. Porque a glande é a parte com mais nervos do clitóris, é extremamente sensível ao toque (5,6).

Diferente do resto do clitóris, a glande não incha ou aumenta durante a resposta sexual feminina, já que não contém tecido erétil (expansível) (5).

Logo acima ou no topo da glande está o capuz do clitóris, que é formado pelos dois lados da conexão com os pequenos lábios (5). O capuz do clitóris pode variar de tamanho e em grau de cobertura de pessoa para pessoa (7).

Partes internas do clitóris

A maior parte do clitóris não é tipicamente visível quando olhamos para a vulva.

Conectado à glande clitoriana, está o corpo do clitóris. O corpo clitoriano se projeta para cima em direção à sua pelve e é conectado através de ligamentos ao seu osso púbico.

Do corpo (localizado em frente à uretra), o clitóris se divide em dois para formar os ramos do clitoris ou cruris (essas são as “pernas” do clitóris) e os bulbos vestibulares (1,4). Esses bulbos se estendem através e atrás dos grandes lábios, passando pela uretra, canal vaginal e em direção ao ânus (4).

Os bulbos e os ramos do clitóris contêm um tecido erétil que incha com sangue durante a excitação sexual feminina. Ao inchar em cada lado do canal vaginal, eles aumentam a lubrificação na vagina, enquanto aumentam a estimulação sexual e a sensibilidade (5,8). Essa expansão do tecido clitoriano também pode causar pressão que é aplicada à parte de trás do canal vaginal (5).

Como estimular o clitóris

Cada pessoa é diferente e tem diferentes zonas sexuais erógenas, desejos e tipos de tesão — é bom lembrar disso sempre! Não há "o melhor jeito" para estimular o clitóris — você vai ter que praticar um pouquinho. 

Dito isso, aqui estão algumas dicas para você e seu(a) parceiro(a) deslancharem no assunto.

1. Entre no clima. Sinta-se à vontade. 

Se você estiver com alguém, entrar no clima pode envolver beijos, preliminares e a exploração dos corpos.

Se a brincadeira for individual, entre na dança com outras áreas erógenas do seu corpo (como os mamilos). Preste atenção na sua mente — se sua imaginação não está ajudando, sinta-se à vontade para buscar a ajuda de contos eróticos ou de um pornô.

2. Explore as áreas ao redor do clitóris.

Faça isso da maneira que for melhor para você: dedos, boca e língua (seus, ou alheios), ou algum outro objeto erótico (higienizado). Você pode usar também uma ducha, vibradores, ou até o atrito e fricção da sua lingerie ou roupa de baixo contra um travesseiro, por exemplo. Uma vez que você tenha feito o aquecimento com a área ao redor do clitóris, é hora de estimulá-lo diretamente.

3. Comece suavemente, tocando ou friccionando o clitóris.

O clitóris não é um botão mágico, então simplesmente apertá-lo (para a maioria das pessoas) não irá produzir um orgasmo imediato. Não brinque de DJ fazendo scratchs e forçando o contato e o atrito, ninguém gosta disso.  

4. Leve o tempo que precisar.

É uma área pequena, e pode ser um pouco frustrante de início. “Como ser criativ@ o suficiente para estimular uma área tão pequena?”. Escute seu corpo, ou seu parceiro(a), e tente descubrir o que é o gostoso e se sente bem.

Você pode tentar movimentos de vai e vem,, pequenos círculos e até uns tapinhas leves.

Faça com que a vizinhança entre na dança—lembre-se que o clitóris tem nervos e curvaturas sensíveis em torno dele, então explore sempre ao redor. Sempre confira com seu(a) parceiro(a) se a brincadeira está gostosa. 

5. Use pressão, outras partes do corpo, brinquedos e vibração.

Quando a maioria das pessoas estão excitadas, elas ficam molhadas, o que pode fazer com que a estimulação seja mais confortável, mais gostosa. 

6. Considere o auxílio de lubrificante sexual.

Nós acreditamos no poder do lubrificante.

7. Você pode estimular o clitóris desde dentro também, com o pênis ou vibradores.

Nem tudo mundo vai sentir o maior tesão do mundo ou alcançar orgasmos o tempo todo durante o sexo ou a masturbação—e não há nenhum problema nisso.

A coisa mais importante é você aproveitar o momento. Se você não está se divertindo, não precisa seguir em frente.

Pesquisa sobre o clitóris e o ponto G

O clitóris – em sua anatomia e função – é um tópico altamente discutido (1). Tabus sobre a discussão do prazer e sexualidade da mulher contribuíram para a falta de pesquisa nessa área. Mas, à medida que tabus são quebrados, mais pesquisas vão fornecer futuras explicações e compreensão sobre o clitóris.

Uma mão segurando um celular com o Clue app aberto

Use o Clue app para acompanhar mudanças no seu desejo sexual

A existência ou função do ponto G não é 100% esclarecida. Algumas pesquisas afirmam que ele pode ser associado com a ejaculação feminina (conhecida em inglês como “*squirting*”) (10,11).

Outras pesquisas sugerem que o ponto G não é necessariamente uma entidade física em si, mas em vez disso é um lugar onde os lados dos bulbos vestibulares do clitóris encostam na parte anterior da parede da vagina (12).

Isso sugere que o “orgasmo vaginal” possa na verdade ainda estar conectado com o clitóris – cada impulso durante a penetração vaginal ou contração dos músculos pélvicos – pode estimular o clitóris (1,2,12).

O tamanho do clitóris

Tanto a parte externa do clitóris, como a glande clitoriana e seu prepúcio, podem variar de tamanho de pessoa pra pessoa.

A exposição a androgênios durante qualquer etapa da vida, incluindo o desenvolvimento intrauterino, a infância e a idade adulta, pode fazer com o que o clitóris aumente de tamanho (13). Se denomina clitoromegalia a condição de um clitóris que é grande o suficiente para ser considerado anormal.

O pênis e o clitóris têm a mesma origem

O pênis e o clitóris têm a ver um com o outro em termos de estrutura. Na verdade, eles se originaram do mesmo tecido embrionário (tecido de desenvolvimento) (5).

Na oitava semana do desenvolvimento fetal, o cromossomo Y no DNA masculino vai ativar a diferenciação do tecido genital para desenvolver um pênis, no lugar de um clitóris (3-5). Muitas das partes do clitóris são semelhantes ao pênis, mas se diferenciam em formato e tamanho e são localizadas em diferentes partes.

Seria o clitóris um pênis pequeno – ou o pênis um clitóris gigante?

Alcançar um orgasmo é diferente para cada corpo. Experimentar com a masturbação ou com diferentes posições sexuais, além de alguma paciência, pode te ajudar a descobrir o que funciona melhor para você.

Artigo originalmente publicado em 22 de fevereiro de 2018.